A errática estratégia trumpista, após verificar que o assassinato de dezenas de altos dirigentes iranianos não derruba o regime, juntamente com a feroz resistência de Teerão, com centenas de mísseis lançados sobre Israel, as monarquias do Golfo e o estreito de Ormuz, fez soar os alarmes do imperialismo ocidental. Com a guerra a entrar na sua fase mais incerta, aumentam as possibilidades de que se converta num bumerangue descontrolado contra Washington e desencadeie uma crise económica global de efeitos catastróficos.

Após um mês de sangrentos e criminosos bombardeamentos que causaram milhares de mortes, dezenas de milhares de feridos e mais de um milhão de deslocados, os EUA não alcançaram os objetivos que tinham estabelecido. O regime dos aiatolás não caiu e não há indícios de uma rebelião interna. Evidentemente, a guerra tem duas frentes e, no caso do Líbano, as tropas sionistas causaram efetivamente danos excecionais, destruindo Beirute e ocupando o sul do país. Os planos de Netanyahu e da sua coorte de neonazis supremacistas para impor à força o projeto de Grande Israel dão um passo em frente após o holocausto infligido ao povo palestiniano em Gaza.

Como explicámos na nossa declaração anterior, arrasar Gaza e ceifar centenas de milhares de vidas inocentes converteu-se numa prova decisiva para as forças de extrema-direita que governam os EUA e Israel, e para os setores da burguesia imperialista que os apoiam. Depois de conseguirem a aceitação, por parte de aliados e adversários (Rússia e China, entre outros), da sua farsa de “plano de paz” e outras vitórias, como o controlo da Síria e da Venezuela, Trump e Netanyahu estavam embriagados pelo sucesso. Nada nem ninguém os podia travar, pensavam. E decidiram lançar esta ofensiva militar selvagem, convencidos de que o resultado seria um passeio militar e o colapso ou a rendição de Teerão em poucos dias. Nada mais longe da realidade!

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A feroz resistência iraniada apanhou de surpresa Trump e Netanyahu, embriagados por sucessos recentes, e faz soar os alarmes do imperialismo ocidental.

Efeito bumerangue

A resistência iraniana, com evidente apoio militar, tecnológico, logístico e financeiro da China e da Rússia, está a transformar esta guerra num calvário para o imperialismo estado-unidense e para Donald Trump. Pretendiam aumentar a sua escalada militarista, reafirmando o seu poder imperial sobre o Médio Oriente e à escala global, desviar a atenção da profunda crise interna que abala a sociedade estado-unidense e inverter o declínio cada vez mais acentuado que os EUA sofrem como potência hegemónica face à China, enviando ao mundo uma mensagem de invencibilidade.

Mas o resultado está a ser o oposto. O que conseguiram foi incendiar o Médio Oriente, levando os seus aliados do Golfo Pérsico a uma situação limite que há um mês nem podiam imaginar, e empurrar o mundo para as portas de uma recessão económica. A guerra está a tornar mais evidente a decadência do imperialismo estado-unidense e os limites do seu poder, ampliando até níveis sem precedentes a quebra de confiança com aliados-chave como a União Europeia, o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul, que já tinham sofrido com a sua guerra tarifária e uma política externa cada vez mais agressiva.

De gendarme que garantia a ordem capitalista mundial, Washington passou a tornar-se o principal foco de crises, caos e instabilidade. O grande beneficiário desta escalada militarista cada vez mais desesperada, e em particular após a sua aventura no vespeiro iraniano, está a ser precisamente o bloco formado pelos imperialistas chineses e russos. Os rivais de Washington na luta pela supremacia continuam a evitar um confronto direto, mas decidiram dar ao seu aliado iraniano o apoio que, de forma tão cínica quanto calculada, negaram ao povo palestiniano e a outros aliados que consideraram dispensáveis, como os regimes de Assad na Síria ou de Maduro na Venezuela.

Y la razón de esto es evidente. Irán representa su principal punto de apoyo militar, geopolítico y económico en una región clave como Oriente Medio. Su pérdida sería un golpe mucho más traumático para su prestigio, y para inversiones y proyectos de carácter estratégico.

E a razão disto é evidente. O Irão representa o seu principal ponto de apoio militar, geopolítico e económico numa região-chave como o Médio Oriente. A sua perda seria um golpe muito pior para para investimentos e projetos de caráter estratégico, e para o seu prestígio.

O imperialismo estado-unidense numa encruzilhada

Enquanto escrevemos estas linhas, as perspetivas para o desenvolvimento da guerra continuam em aberto. Na noite de sábado, 21 de março, Trump lançava um ultimato de 48 horas, prometendo arrasar todas as centrais elétricas iranianas se o regime não cedesse. Antes de decorrido esse prazo, na manhã de segunda-feira, dia 23, via-se obrigado a recuar, concedendo mais cinco dias para “dar tempo à negociação”. Na sexta-feira, dia 27, anunciava a extensão do prazo até 6 de abril.

O que explica este recuo? O facto de a sua ameaça de intensificar ainda mais a guerra ter sido imediatamente respondida pelo Governo de Teerão, que advertiu que responderia golpe por golpe, como tem feito até agora após cada agressão, declarando como objetivos militares as centrais elétricas e outras infraestruturas críticas de Israel, bem como os poços petrolíferos, refinarias, dessalinizadoras e centros de produção das monarquias do Golfo aliadas de Washington.

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As vozes críticas multiplicam-se no seio do movimento MAGA bem como as pressões públicas dos aliados europeus e do Golfo para travar a escalada bélica e evitar uma recessão que lhes rebentará nas mãos.

Houve também outro fator de grande peso. O ultimato de Trump fez disparar os preços do petróleo até um novo recorde de quase 120 dólares por barril e empurrou o rendimento das obrigações da dívida estado-unidense para os mesmos níveis de abril de 2025, quando, após ameaçar a China com tarifas de 100%, o presidente dos EUA teve de recuar humilhantemente.

Perante a evidência de que o plano de uma vitória rápida e incontestável não se concretizou, o nervosismo, as dúvidas e as divisões dentro do campo imperialista não fizeram mais do que aumentar.

As vozes críticas multiplicam-se no seio do movimento MAGA, com a sonora demissão do trumpista Joe Kent, Diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, bem como as pressões públicas dos aliados europeus e do Golfo, e de setores da burguesia estado-unidense, para travar a escalada bélica e evitar uma recessão que lhes rebentará nas mãos. Por isso mesmo, Trump tem dado sinais de grande desespero para alcançar um acordo, alegando que destruíram a economia e o aparelho militar iraniano, embora isso seja uma completa mentira.

“Como era de esperar, os Estados Unidos (incapazes de aprender com a história) voltaram a descobrir que o poder aéreo avassalador tem uma relação muito fraca com o colapso político de um adversário. Não há qualquer cenário fácil de mudança de regime ou capitulação, nenhuma Venezuela 2.0 à vista”, explicava o ex-negociador sionista David Levy. Outro analista, ex-assessor de Obama e também de líderes republicanos, observava que “tendo em conta estas circunstâncias, o mais sensato para os Estados Unidos poderia ser aceitar agora uma perda limitada, em vez de arriscar que as perdas se agravem mais para a frente”

Mas esta não é a única possibilidade num momento de tanta incerteza. A guerra gera uma dinâmica própria. O recurso ao poder militar para ocultar o seu declínio económico e geopolítico empurrou o imperialismo estado-unidense e Trump a iniciar o ataque e, agora, sem uma vitória clara, a tentação de elevar a aposta e defender o prestígio ferido pode afundá-los num conflito ainda maior. Já lhes aconteceu no Iraque e no Afeganistão, com resultados desastrosos que incentivaram o avanço da China e da Rússia.

As análises que tentam explicar este ponto crítico afirmando que Netanyahu arrasta Trump são muito unilaterais e, portanto, falsas. Que Netanyahu tem uma agenda definida no Médio Oriente e que esta guerra lhe interessa é evidente. Mas os objetivos políticos e militares do sionismo são também os de Trump e da classe dominante estado-unidense. Demonstraram-no com o seu apoio ao genocídio, com o plano colonial para reconstruir Gaza e convertê-la num resort de luxo, com o seu apoio à anexação da Cisjordânia e do sul do Líbano, e com as operações conjuntas na Síria. E é preciso voltar a lembrar que, sem o financiamento permanente dos EUA, Israel seria incapaz de sustentar a sua economia e a sua máquina militar.

O sionismo é a força de choque do imperialismo estado-unidense numa área onde se decidem aspetos-chave da geopolítica mundial. Esta é a razão de fundo de uma unidade de ação que se manteve e se reforçou desde a fundação do Estado sionista em 1948. Em todas as guerras regionais, na limpeza étnica contra o povo palestiniano, nos planos contrarrevolucionários para esmagar os levantamentos populares e as revoluções sociais no mundo árabe, o sionismo tem sido um aliado excecional. Não existe confusão nem ingenuidade por parte de nenhum dos protagonistas em Washington e Telavive, mas sim uma divisão de papéis calculada.

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O sionismo é a força de choque do imperialismo estado-unidense numa área onde se decidem aspectos chave da geopolítica mundial. Isto explica a unidade de ação que se tem mantido e fortalecido desde a fundação do Estado sionista.

Os comunistas revolucionários e o regime iraniano

Se algo este mês de guerra deixou claro é que o regime iraniano enfrenta uma luta pela sua sobrevivência e está disposto a defender-se até ao fim. Tem razões poderosas para isso e, até ao momento, demonstrou também possuir meios militares, tecnológicos e humanos para resistir.

Como comunistas revolucionários, deixámos clara a nossa completa oposição ao regime teocrático e reacionário dos aiatolás, à burguesia que os elevou ao poder esmagando a revolução socialista de 1979 e a todo um sistema de exploração e repressão que afogou em sangue o movimento operário durante décadas, que combateu a esquerda comunista assassinando e encarcerando milhares de militantes, que reprimiu os direitos democráticos de todas as minorias nacionais e que submeteu as mulheres e a comunidade queer a um estado de terror e perseguição implacável.

O carácter desta ditadura integrista refletiu-se em brutais cortes sociais, num empobrecimento generalizado e no massacre perpetrado pela Guarda Revolucionária Islâmica e pelas milícias Basij contra o levantamento de massas de janeiro deste ano. Mas a libertação do povo iraniano, da classe trabalhadora e das mulheres jamais chegará através dos bombardeamentos imperialistas e sionistas. De facto, esta agressão, longe de incitar qualquer “revolução”, expôs claramente os interesses imperialistas de Washington e Telavive em controlar os recursos de um país soberano e impor um governo fantoche sob a liderança do xá Reza Pahlavi.

Dito isto, expomos também com clareza que os comunistas revolucionários não são neutrais perante esta agressão imperialista. Uma vitória de Trump e de Netanyahu não significaria apenas a subjugação do povo do Irão e a morte de dezenas, e mesmo centenas de milhares de inocentes, como alimentaria novos conflitos ainda mais virulentos. A derrota destes dois criminosos de guerra significaria um golpe duríssimo no imperialismo e nos seus aliados sionistas e, consequentemente, na extrema-direita neofascista global.

Una política comunista a favor del pueblo iraní, del pueblo palestino, de todos los pueblos que son aplastados por el imperialismo y sus burguesías cipayas, no tiene nada que ver con apoyar al régimen reaccionario y teocrático de los ayatolás. Por eso decimos que la tarea de acabar con la burguesía y el capitalismo iraní, con el Estado integrista y represivo, y conquistar un Irán socialista solo puede ser obra de la clase obrera mediante su acción directa, la huelga general y la insurrección con un programa revolucionario e internacionalista.

Uma política comunista a favor do povo iraniano, do povo palestiniano, de todos os povos que são esmagados pelo imperialismo e pelas suas burguesias lacaias, não tem nada que ver com apoiar o regime reacionário e teocrático dos aiatolás. Por isso afirmamos que a tarefa de acabar com a burguesia e o capitalismo iraniano, com o Estado integrista e repressivo, e conquistar um Irão socialista só pode ser obra da classe trabalhadora através da sua ação direta, da greve geral e da insurreição com um programa revolucionário e internacionalista.

A guerra é a equação mais complicada

O plano de 15 pontos apresentado por Trump para pôr fim à guerra foi rejeitado pelos porta-vozes do regime iraniano, que o denunciaram, com razão, como uma provocação sem sentido, ainda para mais quando ficou demonstrada publicamente a sua capacidade para resistir ao ataque estado-unidense e israelita.

A isto soma-se o balanço das duas últimas ocasiões em que se sentaram para negociar: Trump utilizou-as como manobra de distração para ganhar tempo e lançar a ofensiva de junho de 2025 e a guerra atual. Teerão deixou claro que não está disposto a uma terceira manobra enganosa e que o desenvolvimento da guerra até ao momento não os obriga a aceitar as condições da Casa Branca.

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A tarefa de pôr fim ao capitalismo iranianos e de conquistar um Irão socialista só pode ser obra da classe trabalhadora através da sua ação direta, da greve geral e da insurreição com um programa revolucionário e internacionalista.

Enquanto oferece esta “cenoura”, os bombardeamentos continuam e os EUA mobilizam mais de 2.000 fuzileiros navais e 3.000 paraquedistas com o possível objetivo, segundo diferentes fontes, de ocupar militarmente a ilha de Kharg, onde se refina cerca de 90% do petróleo iraniano. Por seu lado, Israel continua a arrasar o Líbano, com planos claros para ocupar militarmente o sul do país, e os EUA bombardeiam aquartelamentos do exército iraquiano para “neutralizar” um possível apoio militar ao Irão.

Se continuarem por esse caminho, os EUA e Israel podem abrir um cenário de pesadelo. Até agora ultrapassaram uma linha vermelha após outra nesta guerra. Embora se tenham comprometido com os seus aliados a não bombardear instalações petrolíferas e de gás, Israel atacou o principal centro de extração iraniano (Pars Sul), fazendo disparar novamente os preços do gás e do petróleo e semeando o pânico nos mercados. Nem sequer hesitaram em lançar ataques contra instalações nucleares que poderiam desencadear uma autêntica catástrofe.

Mas, sempre que escalaram o conflito, encontraram uma resposta muito medida, mas contundente e imediata. O ataque a South Pars foi respondido em poucos minutos com a paralisação de Ras Laffan, no Catar, o maior centro mundial de gás, de onde se obtém 20% do gás natural liquefeito global. Este ataque fez parte de uma ofensiva coordenada com drones e mísseis que, numa única noite, atingiu várias cidades israelitas, bem como refinarias e poços petrolíferos em diferentes pontos do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Os ataques contra a central nuclear iraniana de Bushehr foram também respondidos com ações dissuasoras sobre a central nuclear israelita de Dimona e a sua área envolvente.

A precisão e a magnitude da resposta deixaram atónitos Trump, Netanyahu e os seus chefes militares, desmentindo as suas fanfarronices de que tinham destruído “totalmente” a capacidade militar iraniana e já haviam “ganho a guerra”.

Neste momento, dezenas de artigos jornalísticos especulam sobre os planos para tomar militarmente a ilha de Kharg. Como se assinala em alguns deles, ocupar esta ilha-chave, situada no norte do Golfo Pérsico, a 25–30 quilómetros da costa continental do Irão, onde atualmente se refina cerca de 90% do petróleo iraniano, poderia implicar uma paralisação muito séria da economia e acelerar a rendição de Teerão. Mas, tendo em conta a forma como a guerra se desenvolveu até agora, não há qualquer garantia de que esse seja o único desfecho possível.

Muitos outros analistas, incluindo ex-assessores do próprio exército estado-unidense, consideram que uma ação deste tipo poderia abrir um cenário com consequências militares, políticas e económicas imprevisíveis, começando pela morte certa de centenas de fuzileiros navais e levando o preço do barril de petróleo para mais de 150 dólares, ou mesmo até aos 200.

Uma ofensiva dos EUA e de Israel sobre Kharg obrigaria provavelmente Teerão a deslocar parte do seu petróleo para Jask (um centro de refinação alternativo que não tem a mesma capacidade, mas que têm vindo a desenvolver há algum tempo para uma eventual emergência como esta). Mas, sobretudo, poderia desencadear uma contraofensiva iraniana para retomar a ilha, abrindo uma nova fase de conflagração terrestre que os EUA e Israel têm evitado. Tudo isto acompanhado de ataques a refinarias e outros objetivos dos aliados estado-unidenses na região a um nível superior ao observado até agora, e com os países agressores a enfrentarem maiores dificuldades para repor o seu arsenal ao ritmo exigido pela resistência iraniana.

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O plano de 15 pontos apresentado por Trump para acabar com a guerra foi rejeitado pelo regime iraniano, que o denunciou como uma provocação, ainda para mais quando ficou demonstrada a sua capacidade de resistir ao ataque estado-unidense e israelita.

Entre outras possíveis respostas de Teerão está também o fecho do estreito de Bab el-Mandeb por parte dos hutis do Iémen, aliados que até agora se têm mantido expectantes a pedido do próprio regime iraniano, mas que já anunciaram que “esperam o momento zero” para entrar em ação.

Por Bab el-Mandeb circula 12% do comércio mundial. Combinado com o fecho de Ormuz, poderia desferir um golpe decisivo no fornecimento energético a partir do Médio Oriente, abrindo um cenário ainda mais complexo que afetaria gravemente o abastecimento de fertilizantes, microchips, vários minerais, alimentos e outros bens de primeira necessidade.

Neste momento, países da Ásia como o Sri Lanka, o Bangladeche, a Tailândia, as Filipinas e outros já decretaram medidas de racionamento do consumo de energia. O prolongamento da guerra poderá juntar a este grupo economias que desempenham um papel muito mais decisivo na economia mundial, como Taiwan, a Coreia do Sul, o Japão e até a Índia.

Os efeitos de uma guerra prolongada podem travar o consumo dos estado-unidenses e afetar mais do que o previsto a maior economia do mundo, como advertiu o governador da Reserva Federal (Fed), Chris Waller. Em apenas três semanas, o fecho do estreito de Ormuz transformou-se “na maior ameaça para a segurança energética mundial da história”, segundo afirmou Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE).

O impacto de uma crise energética da dimensão que se antevê poderá ser muito superior ao da chamada crise do petróleo de 1972-73, que desencadeou uma recessão mundial. Hoje, o consumo de petróleo e gás provenientes da região é o dobro e a interdependência e globalização da economia mundial são muito superiores.

Não é a loucura de um indivíduo, é a decadência do sistema

Cada ameaça e declaração contraditória de Trump é acompanhada por convulsões nos mercados financeiros, subidas e descidas bruscas nos preços do gás e do petróleo, tímidas recuperações dos valores nas bolsas mundiais seguidas de quedas que fazem evaporar milhares de milhões de dólares.

Seis décadas após o desastre histórico do Vietname, e duas após as intervenções imperialistas no Iraque e no Afeganistão, das quais também saíram humilhados, esta agressão imperialista poderá ser o princípio do fim para o trumpismo.

Os exemplos históricos são elucidativos. O sucesso e a embriaguez de arrogância deste tipo de figuras, colocadas à frente de nações poderosas em tempos de crise aguda, podem transformar-se na fonte de fracassos colossais. Aconteceu com o império napoleónico na sua campanha contra a Rússia, com Napoleão III em 1870 na guerra contra a Prússia, e também com Hitler na sua ofensiva contra a URSS. Após a euforia inicial, a derrota de todos eles foi absoluta.

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Seis décadas depois do desastre histórico do Vietname, e duas depois das intervenções no Iraque e no Afeganistão, das quais também saíram humilhados, esta agressão imperialista poderia ser o começo do fim do trumpismo.

O receio de que aquilo que já é um fracasso militar evidente se possa transformar numa derrota política, e o risco de um colapso económico, poderão obrigá-los, como referimos anteriormente, a uma retirada. Mas isso agravaria ainda mais a sua crise interna e decadência, e não eliminaria a possibilidade de novas aventuras militares para tentar disfarçar o fracasso, como já estão a fazer com o bloqueio criminoso que mantêm sobre Cuba.

A guerra é a continuação da política por outros meios, dizia o teórico militar prussiano Von Clausewitz. Como explicámos, e como também aconteceu com a escalada militar lançada por Hitler e pelo imperialismo alemão nos anos 30, esta nova guerra imperialista não tem origem na loucura, no capricho, na ignorância ou no narcisismo de Donald Trump.

O seu motor reside no facto de setores decisivos da classe dominante estado-unidense terem constatado que todas as tentativas de ganhar a corrida pela supremacia mundial por outros meios fracassaram, restando-lhes apenas o meio militar.

Apesar da campanha tarifária, 2025 terminou com a China a obter um excedente comercial histórico e os EUA a aumentarem, mais um ano, o seu défice. Todos os dados sobre o desenvolvimento científico e tecnológico, sobre o avanço da sua capacidade manufatureira, sobre o controlo das cadeias de valor e do comércio global mostram a superioridade crescente de Pequim.

A ilusão trumpista de reduzir essa diferença, apelando aos capitalistas estado-unidenses para investirem na indústria produtiva, choca com a evidência de que obtêm muito mais lucros especulando com a dívida e outros produtos financeiros ou mantendo os seus investimentos noutros países. A política de utilizar o dólar para ameaçar e atingir inimigos e aliados fez com que, embora continue a ser a divisa hegemónica nas transações comerciais mundiais, tenha passado de níveis superiores a 70% para menos de 60% nas últimas duas décadas, ao mesmo tempo que crescem os planos e acordos entre diferentes países para utilizar o yuan.

Ante esta evidencia la burguesía estadounidense apostó por hacerse con el control de los combustibles fósiles, petróleo y gas, y utilizar esa posición como arma para imponer sus condiciones. Pero esta estrategia también está chocando con límites. EEUU, pese a ser el principal productor mundial de gas y petróleo, debe importar un 40% de crudo. Esa es una de las razones para la intervención del pasado 3 de enero contra Venezuela, y de intentar replicar el éxito que lograron con el secuestro de Maduro con una ofensiva brutal contra Irán. Pero obviamente el régimen de los ayatolás, como hemos señalado, es una pieza mucho más difícil de cobrar.

Perante esta evidência, a burguesia estado-unidense apostou em controlar os combustíveis fósseis, petróleo e gás, e utilizar essa posição como arma para impor as suas condições. Mas esta estratégia também está a esbarrar em limites. Os EUA, apesar de serem o principal produtor mundial de gás e petróleo, têm de importar cerca de 40% do crude. Essa é uma das razões para a intervenção de 3 de janeiro contra a Venezuela e para a tentativa de replicar o sucesso alcançado com o sequestro de Maduro através de uma ofensiva brutal contra o Irão. Mas, como assinalámos, o regime dos aiatolás é uma peça muito mais difícil de capturar.

Agarrar-se ao seu poder militar como a uma tábua de salvação é uma questão estratégica para a classe dominante estado-unidense. E, embora o bloco imperialista rival formado pela China e pela Rússia prefira, para já, apostar no desgaste evitando um confronto direto, o resultado desta luta pela hegemonia imperialista só pode ser mais guerra, barbárie, miséria e exploração para as massas.

Ao mesmo tempo, é necessário sublinhar que Trump tem a frente mais complicada dentro dos próprios EUA. A resistência contra as forças fascistas do ICE, a histórica greve de Minneapolis, as manifestações massivas do No Kings Day, mostram o caminho e o potencial para derrubar o regime autoritário trumpista e colocar contra as cordas uma das maiores máquinas de destruição e tirania que a humanidade já conheceu.

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A única alternativa à guerra e à barbárie é aquela que mostrou a rebelião global contra o genocídio em Gaza: levantar um movimento de massas contra o imperialismo, o sionismo e o capitalismo.

Como explicava Lenin, o imperialismo significa horror sem fim, guerras contínuas entre bandos imperialistas para repartirem o mundo à custa dos direitos dos povos e das vidas das massas oprimidas.

A única alternativa à guerra e à barbárie é a que foi demonstrada pela rebelião global contra o genocídio em Gaza: erguer um movimento de massas contra o imperialismo, o sionismo e o capitalismo. Esta é a tarefa fundamental de todos e todas aquelas que lutamos para construir um partido de massas com o programa do comunismo revolucionário, com o objetivo de acabar com todas as formas de violência e opressão, levando adiante a revolução socialista.

Se queres a paz, luta pelo socialismo!

Nem um euro, nem um soldado, nem uma bala para esta guerra!

Erguer um movimento internacionalista contra a guerra imperialista e pela derrota dos EUA e de Israel!

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