Na noite de 11 de Agosto, criminosos do bando fascista “Nova Ordem de Avis” ameaçaram por correio electrónico um grupo de dez activistas anti-fascistas e anti-racistas entre os quais foram incluídas três deputadas da esquerda, exigindo que estas dez pessoas rescindissem dos seus cargos políticos e abandonassem o “território português” em 48 horas para evitar que fossem “tomadas medidas” não só contra as dez pessoas incluídas na lista como ainda contra as suas famílias. Isto, rematavam os fascistas, serviria para “garantir a segurança do povo português”.

As ameaças foram lançadas três dias depois do mesmo bando fascista ter feito uma acção de intimidação à porta da sede da organização SOS Racismo, acção essa que chamou de “vigília em homenagem às forças de segurança”. Tal “vigília” consistiu numa aglomeração de vinte criminosos mascarados e empunhando tochas, um símbolo fascista usado desde as marchas nazis da década de 30 do século passado na Alemanha, e que tem sido utilizado por bandos fascistas dos EUA à Ucrânia e até mesmo ao Brasil.

A Esquerda Revolucionária expressa desde já toda a solidariedade com estes companheiros.

Esta crescente ousadia dos bandos fascistas e até o crescimento eleitoral que temos visto no último ano expressa, por um lado, o desespero dos sectores mais reaccionários da sociedade perante os avanços na consciência e na acção da classe trabalhadora, com levantamentos e crises revolucionárias a ter lugar até mesmo nos EUA, e com as camadas mais oprimidas, como as mulheres e os negros, na linha da frente da luta de classes à escala internacional — o que se vê também em Portugal com acções históricas como as marchas anti-racistas do passado 6 de Junho ou as grandes manifestações feministas do 8 de Março. Por outro lado, o atrevimento dos fascistas resulta de uma confiança crescente no programa de esmagamento sangrento dos explorados e oprimidos, uma confiança que é reforçada igualmente à escala internacional por cada vitória e avanço da extrema-direita, e especialmente pelas vitórias eleitorais que teve nos EUA, com Trump, e no Brasil, com Bolsonaro.

Em momentos de crise tão profunda do capitalismo como aquele que estamos a atravessar agora, a polarização social é inevitável. O capitalismo em crise condena uma cada vez maior massa de pessoas à miséria, ao medo e à incerteza em todas as áreas da vida, não tendo este sistema qualquer forma de resolver os problemas sociais que ele próprio produz. A imposição da crise à classe trabalhadora e aos pobres, através de contra reformas e austeridade, degradam as instituições da democracia burguesa e galvanizam a revolta dos oprimidos. A única solução que a classe dominante tem para para se tentar salvar é a violência fascista.

Uma parte da burguesia entende já isto e prepara-se para uma luta de morte com a classe trabalhadora. A brandura do Estado burguês perante a violência assassina que há tão pouco tempo matou Bruno Candé e se atreve agora a ameaçar até mesmo deputadas é a brandura da burguesia com os seus cães de fila — os cães que serão lançados contra todos os explorados e oprimidos assim que o sistema capitalista estiver em perigo de morte. Isto foi demonstrado da forma mais descarada, aqui em Portugal, no caso da investigação do bando de 27 fascistas “skinheads” que foram deixados em liberdade mesmo depois de serem apanhados com armamento ilegal e centenas de materiais de propaganda nazi. Mas é ainda demonstrado pela permanência de elementos declaradamente fascistas e racistas na PSP e em todas as forças de “segurança”. À escala internacional, por sua vez, esta função dos fascistas foi muito clara em todos os levantamentos populares da América Latina, onde os bandos fascistas perseguiram, espancaram, violaram e assassinaram com total impunidade a juventude e os trabalhadores em luta, mesmo em países “democráticos” como o Chile.

O fascismo não é, portanto, uma ameaça à “democracia” abstracta, e não pode ser travado pela defesa deste sistema podre. O fascismo é a solução de emergência do capitalismo. Fascismo e democracia burguesa existem como duas faces de uma mesma medalha, e é quando a dominação “democrática” se torna impossível que se passa à dominação fascista.

Por tudo isto, insistir em manter a “moderação” e procurar “combater” o fascismo através dos órgãos do Estado burguês como o Ministério Público não é somente inútil, é alimentar ilusões entre a juventude e os trabalhadores, é dificultar a organização da nossa classe com ferramentas de luta consequentes, é, em última instância, abrir a porta aos bandos fascistas para que continuem a crescer e a atacar-nos: às mulheres e pessoas LGBT, aos negros e imigrantes, a toda a classe trabalhadora.

No entanto, a defesa da “democracia” abstracta tem sido a posição defendida pelos partidos da esquerda parlamentar e até mesmo pelos actuais dirigentes do movimento anti-fascista e anti-racista, mesmo num ano tão fortemente marcado pelo terrorismo racista de Estado com casos como, por exemplo, o bárbaro espancamento de uma mulher negra às mãos da PSP ainda em Janeiro deste ano.

Confiar ao Estado capitalista a defesa das nossas vidas contra o fascismo é nada menos do que cometer suicídio. A única forma de combater o fascismo é construindo e fortalecendo as organizações da nossa classe, armando-as com um programa que una todas elas numa frente de toda a classe trabalhadora contra o fascismo e, portanto, contra o capitalismo. Para fazer valer esse programa, há que usar os métodos que realmente funcionam: a acção de massas na rua, a greve, a ocupação, a auto-defesa organizada, a greve geral. Só a nossa classe é capaz de construir uma sociedade livre de tudo aquilo que alimenta o fascismo, livre de exploração e opressão: o socialismo.

Pelo bloqueio e proibição de todo o tipo de organizações e eventos fascistas!

Pelo saneamento e condenação de todos os polícias fascistas e racistas!

Organiza-te na luta contra o fascismo! Organiza-te na luta pelo socialismo!

Junta-te à Esquerda Revolucionária!

 

Sindicato de Estudantes

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